O consórcio denominado DES-Brazil é formado por pesquisadores e técnicos ligados
a diferentes instituições brasileiras (Observatório Nacional - ON, Centro Brasileiro
de Pesquisas Físicas - CBPF, Laboratório Nacional de Computação Científica - LNCC, Instituto de Física - IF-UFRGS) sob a coordenação do
Observatório Nacional. O DES-Brazil é um dos membros da colaboração
internacional Dark Energy Survey (DES) liderada pelo Fermilab, NCSA e NOAO.
O principal objetivo do projeto é estudar a natureza da energia escura, uma componente descoberta recentemente, que representa da ordem de 70% do conteúdo do Universo e é responsável pela aceleração de sua expansão. O projeto visa determinar a abundância da energia escura e a sua variação ao longo da história do Cosmos, através de quatro observáveis complementares que serão obtidos dos seguintes estudos: número de aglomerados de galáxias em função do desvio para o vermelho (redshift), distorções nas images das galáxias provocada pelo efeito de lentes gravitacionais fracas, estrutura em grande-escala da distribuição de galáxias e a variação da distância de supernovas do tipo Ia com redshift. Combinando os resultados destes estudos espera-se poder vincular com maior precisão as propriedades da energia escura.
O projeto DES mapeará, a partir de 2010, uma área de céu, próxima
ao pólo sul galáctico, de 5000 graus quadrados, o que equivale da ordem de 1/8 da área total do céu, um levantamento sem precedentes em termos de profundidade e área. As observações serão feitas em cinco filtros (g, r, i, z e Y), do óptico ao infravermelho
próximo, até magnitudes próximas de 24. Para obtenção destes
objetivos, está sendo construída uma câmara (DECam) constituída de um mosaico de 62
CCDs de alta eficiência e um corretor óptico, proporcionando a observação de
uma área de céu de 3 graus quadrados (cerca de 7 vezes a área da imagem da Lua cheia). Esta será colocada no telescópio Blanco
de 4m do Observatório Internacional de Cerro Tololo (CTIO), no Chile e operará com parte do tempo do telescópio
dedicado ao projeto. O DES construirá e instalará a câmara, e desenvolverá o
sistema de redução, análise e gerenciamento dos dados (Data Management ou DES-DM).
Para o estudo da energia escura o mapeamento
do DES identificará cerca de 300 milhões de galáxias, 20 mil aglomerados de
galáxias massivos até o redshift 1.4 e 2000 supernovas entre os redshifts 0.3 e 0.8.
Os dados do levantamento poderão ser utilizados tanto na definição de amostras estatísticas, quanto na descoberta de objetos que terão um enorme impacto para as mais diversas
áreas da astronomia como: o Sistema
Solar, estrelas anãs brancas frias, anãs marrons, estrelas variáveis, estrutura da Galáxia, busca de galáxias anãs, e a evolução de galáxias, quasares e aglomerados de
galáxias.
O ingresso do Brasil no projeto DES, representado pelo grupo DES-Brazil, em 23/01/2007 é o resultado de um longo processo que se iniciou formalmente
em 2005 e se concretizou com a aprovação pela FINEP do projeto
COSMOINFRA apresentado pelo ON, CBPF e LNCC, tendo como coordenador o pesquisador
Luiz Nicolaci da Costa. O projeto conta também com o apoio financeiro da FAPERJ, do MCT e do ON. Estes apoios viabilizaram tanto a contribuição financeira exigida pelo
consórcio internacional, como na criação de uma infra-estrutura inicial para o desenvolvimento de rotinas a serem utilizadas pelo sistema de processamento
e armazenamento de grandes volumes de dados e a contratação de especialistas em
software, como exigido pelo acordo entre as partes. A contribuição não financeira está sendo feita através do projeto estruturante AstroSoft do ON. Com isso, o DES-Brazil contribuirá de modo significativo para o
desenvolvimento do sistema de gerenciamento de dados do DES, sendo liderado
pelo National Center for Supercomputing Applications (NCSA), um reconhecimento
das experiências prévias da equipe brasileira em mapeamentos ópticos. A entrada
do Brasil no DES tem um grande potencial multiplicador, já que o dados
ficarão públicos um ano após serem processados.
A participação brasileira no DES terá importantes legados para a comunidade astronômica nacional tais como:
1) A criação de uma infra-estrutura de hardware e de software, indispensável para o aproveitamento do grande volume de dados provenientes de diversos levantamentos fotométricos e espectroscópicos;
2) A base de dados que ficará disponível a partir dos dados fotométricos do levantamento DES. Esta base será uma referência, por pelo menos uma década, e será utilizada para extrair amostras estatísticas para diferentes projetos espectroscópicos, a serem conduzidos nos grandes telescópios. O DES-Brazil será responsável
pela distribuição do gigantesco acervo de dados no Brasil e colocará à
disposição, através do projeto AstroSoft, diversas ferramentas de manipulação e análise para exploração
científica destes dados, de acordo com os protocolos sendo estabelecidos para o
observatório virtual internacional
3) A formação de alunos, jovens pesquisadores e técnicos da área da tecnologia da informação e comunicação,
que terão a oportunidade de fazer contribuições importantes para o
desenvolvimento do projeto e aproveitarão o intercâmbio entre as instituições
participantes.